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Covid-19: Sindicatos dos professores consideram que o ensino à distância é impraticável em Cabo Verde

Os sindicatos dos professores estão poucos receptivos à proposta do Ministério da Educação de retomar das aulas com o sistema de ensino à distância, e consideram a passagem automática uma alternativa pouco razoável.

Em declarações à Inforpress, a presidente do Sindicato Democrático dos Professores (Sindprof), Ligia Herbert, disse que o ensino à distância seria uma boa alternativa se o país tivesse condições para tal.

 

Para além da falta de equipamentos, adianta que há ainda os problemas relacionados com os meios como a rádio, a televisão e a internet, cujos sinais são muito fracos, existindo ainda lugares onde se quer há sinais.

 

“Nós não podemos implementar o ensino à distância, onde alguns alunos vão ficar para trás”, disse, questionando se haverá mecanismos para garantir que todos alunos tenham acesso às aulas e se todo os professores estão preparados para fazer esse ensino à distância.

 

“Estamos a falar de ensino à distância para todas as disciplinas, ou somente para a Língua Portuguesa e a Matemática? Esse ensino é feito através da televisão? que aulas vão ser dadas, porque a televisão não vai parar a sua programação para dar somente aulas. Serão aulas gravadas e colocadas no youtube”, questionou Ligia Herbert.

 

A maior preocupação, segundo a sindicalista, é garantir a igualdade de tratamento, considerando que a nível técnico o ensino à distância não chegaria a todos os alunos.

 

Outra possibilidade avançada pelo Ministério da Educação, perante a impossibilidade de se retomar as aulas, devido à pandemia da Covid-19, é a passagem administrativa, ou a passagem automática.

 

Sobre esse aspecto, a proposta de Ligia Herbert é que sejam criadas as condições aos alunos do 12º ano para que os mesmos possam apresentar os seus trabalhos e candidatarem-se às bolsas e vagas e que se aplique a passagem automática aos alunos do 1º ao 11º ano, usando cálculos de ponderação ou que se aplique provas de recurso àqueles que não atingiram os objectivos para aprovação.

 

Os moldes para realização desse recurso devem ainda ser analisados, segundo a sindicalista.

 

Por seu lado, o presidente do Sindicato Nacional dos Professores (SINDEP), Jorge Cardoso, disse que o Governo deve analisar muito bem esse assunto, considerando que não é razoável e nem justo fechar o ano apenas com os dois trimestres, uma vez que alguns alunos poderão ficar prejudicados.

 

Instado a pronunciar-se sobre a possibilidade de adoptar o ensino à distância, afirmou que é muito difícil que essa modalidade tenha sucesso, tendo em conta a realidade cabo-verdiana.

 

“Cabo Verde enquanto um país arquipelágico, com periferias que nem sequer temos sinais da rádio e da televisão quanto mais internet, então estar a falar de ensino à distância é impraticável”, sustentou.

 

Tanto o representantes do Sindep como a representante do Sindprof consideram, por isso, que deve haver um diálogo franco para tratar dessas questões, salientando que o Ministério da Educação deve ouvir os sindicatos representativos dos professores e toda comunidade educativa e tomar uma decisão mais acertada.

 

As aulas estão suspensas desde o dia 20 de Março e o regresso estava previsto para esta segunda-feira, 13. Entretanto, com a declaração do estado de emergência o regresso às aulas ficou remarcada para o dia 17 de Abril, data em que é levantado o estado de emergência.

 

Entretanto, está-se na iminência de se alargar o estado de emergência para conter a propagação da doença do que já infectou 10 pessoas em Cabo Verde e o Governo está em busca de alternativa para fechar o ano lectivo, tendo em conta o evoluir da situação.

Inforpress/fim

 

14 de abril de 2020