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Professores angolanos descontentes com omissão do tempo de serviço na transição da carreira

Os professores angolanos manifestaram-se hoje descontentes com o facto de a transição do estatuto da carreira "não contemplar o tempo de serviço", exortando para a "correção da medida desmotivadora" e também a concretização das promoções "congeladas desde 2008".

"Porque um indivíduo que transita para um outro estatuto, que melhorou o perfil académico, transitar para o escalão do grau de entrada igual ao professor que concorreu ontem e que vai começar as aulas hoje isso não motiva ninguém", disse Guilherme Silva, presidente do Sindicato dos Professores Angolanos (Sinprof).

 

Em declarações à Lusa, em Luanda, no âmbito do arranque das aulas em Angola, o sindicalista assegurou que os docentes continuarão a cumprir o seu papel esperando postura similar das autoridades.

 

Defendeu a necessidade de haver promoções "para que os professores que transitaram para o grau de entrada possam ver a sua promoção efetivada”, desde que “tenham mérito".

 

As aulas para o ano letivo 2019 em Angola, aberto oficialmente a 31 de janeiro, arrancaram hoje em todo o país e estendem-se até à primeira quinzena de dezembro, com as autoridades a assumirem que "milhares de crianças" continuam fora do sistema de ensino.

 

O Governo angolano perspetiva acabar com este problema até 2022, conforme referiu Frederico Cardoso, ministro de Estado e chefe da Casa Civil do Presidente angolano, no ato central nacional de abertura do ano escolar 2019.

 

Segundo o presidente do Sinprof, as condições para o início das aulas em Angola "são as possíveis" e lamentou que sejam "iguais aos anos anteriores com turmas populosas com 70 a 80 alunos, fundamentalmente no ensino primário".

 

"Ainda temos crianças que caminham mais de 12 quilómetros/dia para chegar à escola, por isso o facto de percorrem essa distância leva a que somente em uma semana vão à escola de segunda a quarta-feira por cansaço pelas distâncias longas percorridas", apontou.

 

Guilherme Silva lamentou igualmente a "carência de manuais escolares", sobretudo para o ensino primário, ainda de "giz, quadros, carteiras", considerando serem "questões contraditórias que continuam a pesar para a melhoria da almejada qualidade de ensino".

 

"Até mesmo, há escolas que nem sequer têm secretária para o professor, questões que nos levam a conjeturar que a qualidade de ensino continue moribunda", concluiu.

 

SAPO Lusa|05-02-2019