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Província do Moxico com quarenta mil crianças fora do sistema escolar

Cerca de 40.000 crianças estão fora do sistema escolar na província angolana do Moxico, que deve receber apenas 941 novos professores dos cerca de 3.000 de que necessita, foi hoje anunciado.

Segundo o diretor provincial da Educação do Moxico, Raimundo Ricardo, o setor que dirige tem já um "diagnóstico realístico" em relação à Educação na província do leste de Angola, e está a trabalha para mudar a “situação preocupante".

"Estamos com aproximadamente 40.000 crianças fora do sistema de ensino e por isso estamos com a necessidade de aproximadamente 3.000 professores para cobrir este número de crianças", disse.

"A situação tem de ser enfrentada e tem de ser vencida a médio, curto e longo prazo, pois acreditamos que só assim estaremos livres, se não estaremos a carregar um legado que não faz sentido para nenhuma parte do mundo", sustentou.

Segundo Raimundo Ricardo, em relação à falta de escolas, o que leva professores ainda a ministrarem aulas debaixo de árvores, o responsável assumiu a realidade, afirmando que até fevereiro de 2019 a província deve ganhar novas salas de aula.

"A escola "Tchifutchi", sede da província, vai ganhar até fevereiro do próximo ano 19 salas e vai se fazer reabilitação de todo o edifício antigo", assegurou.

E disse acreditar que todas as crianças da província "terão a dignidade necessária como cidadãos e patriotas estudando dentro de uma sala de aula".

No domínio da alfabetização, o diretor da Educação do Moxico adiantou que uma das grandes apostas do Governo da província é "erradicar o analfabetismo", pois, explicou, " há uma boa franja de pessoas semianalfabetas” na província.

"Um povo analfabeto não se pode sentir livre. E também é outra variável que precisamos trabalhar para inverter a situação", admitiu.

O Moxico tem ainda falta de bibliotecas e, de acordo com Raimundo Ricardo, o governo da província está a tentar arranjar livros e o objetivo é ter “no mínimo uma biblioteca” em cada escola da província, concluiu.



Lusa|05.09.2018